Ansiedade em nossa atualidade
- Maria Clara Marques Santos

- 24 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 27 de mar.
O Brasil é o país do mundo com mais pessoas ansiosas, com taxa de 9,3% da população adoecida, segundo relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde). A desigualdade social, incertezas quanto ao futuro, o estresse gerado pela pandemia de Covid-19 e o uso abusivo de celulares e redes sociais são fatores de risco que explicam esse número tão alto.
A ansiedade é, na verdade, um afeto da natureza humana presente na vida de todos, como uma reação natural à perigos e eventos estressantes, que pode nos preparar e proteger para estes eventos. O momento que a ansiedade se torna patológica é quando é paralisante, quando a pessoa experimenta impactos em sua vida gerado pelos sintomas. O problema está no excesso deste funcionamento, que gera muito sofrimento.
Este excesso está inserido em nossa sistema econômico do neoliberalismo tardio, cultura da produtividade, que envolve cobrança desumana e exaustiva das forças de trabalho, sendo um fator que produz ansiedade em suas diversas formas. A sociedade neoliberal faz isso quando coloca no aspecto indivídual uma responsabilidade que é coletiva, oportunidades muito desiguais são oferecidas e, o indivíduo é o grande responsável para se tornar um empresário de si mesmo, neste culto ao empreendedorismo.
A atualidade também é permeada por excesso de acontecimentos causadores de estresse e preocupação como guerras, governos não democráticos, muita violência no cotidiano brasileiro. Dado esse contexto ansiogênico atual, a ansiedade é um sintoma, que é o seu corpo enviando uma mensagem, o alívio oferecido pela medicação muitas vezes pode ser necessário, mas não pode substituir a interpretação cuidadosa de seu sintoma. Na psicoterapia, é possível encontrarmos, para além de fugas comportamentais, as origens da sua ansiedade, como ela age em seu mundo interno, como pode ser realocada.
Na psicoterapia, em parceiria fica mais fácil encarar as origens do sintoma de sua ansiedade, e portanto, melhores formas de lidar com ela.



