Monogamia e não monogamia: vamos conversar?

Atualizado: 24 de fev.

Relacionamentos não monogâmicos têm gerado muita polêmica nos debates, não é mesmo? A monogamia é nossa principal forma de nos relacionar há séculos, é interessante nos indagarmos de onde veio esse modo de relação, a história e outras formas de demonstrar nossos afetos. Fora deste padrão, muitas vezes tóxico e abusivo, para mulheres e não binários, principalmente. O convite é para olhar e refletir o que faz sentido para sua forma de se relacionar com o outro, de forma saudável.
Neste livro, a psicóloga indígena Geni Nunes nos apresenta a história dessa prática em nosso território, baseada em sua pesquisa sobre cartas jesuítas no período colonial, e compara como é diferente da maneira de seu povo Guarani e de outros povos originários, que cultivam práticas não monogâmicas em seus afetos. Ela mostra um panorama onde vemos a influência da igreja católica, dos colonizadores portugueses que implementaram a moral cristã em nossa subjetividade coletiva, e do mudo ocidental colonizado.
Ao desenvolver sobre esse processo, Geni nos convida a pensar em termos de: a quem cabe decidir sobre o desejo do meu corpo? Eu ou a um terceiro, a quem cabe a decisão pelo desejo que sinto?
Olhando para a monogamia, é dado esse poder a um terceiro, que decide sobre seu corpo, representado aqui pelo estado e pela religião também como comentado pela autora. Em práticas não monogâmicas, o responsável por cada desejo e decisão é a própria desejante.
Essa conotação ideológica confere uma análise muito mais profunda sobre as práticas, contrastando com a visão quantitativa que nos foi imposta pela colonização com teor pecaminoso para a moral cristã, relacionando a não monogamia com o pecado, de querer se relacionar com muitas pessoas e a monogamia ao sagrado, a só se relacionar com uma. A não monogamia é muito mais complexa que reducionismos como estes só empobrecem o sentir e o pensar, não acham?
Me interessa muito observar, facilitar esses processos de descolonização na clínica, ambiente de cuidado em que esses marcadores sociais aparecem atravessando nossas vidas e muitas vezes, causando o sofrimento. Te convido a refletir sobre as formas de seus desejos e decisões no espaço profissional clínico, realize seu primeiro contato no botão ao lado.



